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9/julho/2019

Memorial do São João, a festa dos cinco sentidos

Postado por Imprensa | 9/julho/2019 | Onde Ir

O Memorial do Maior São João do Mundo reúne ricos registros da História da festa junina de Campina Grande. A idealizadora do espaço, Clea Cordeiro, busca resgatar os aspectos autênticos da festa e imortalizá-los numa exposição que procura mostrar aos mais jovens a forma como começou o São João da cidade, e fazer os mais velhos recordarem os bons tempos. Funcionando na Vila Junina, no largo da Estação Ferroviária, o Memorial encanta pelo resultado da minuciosa pesquisa da Professora Clea, materializada em fotos, jornais e cartazes, datados desde que a festa se tornoua maior do mundo, em 1983.

Formada em Economia, com doutorado na Espanha, a ex-Professora da UEPB concedeu esclarecedora entrevista ao Repórter Junino, em que relatou o seu envolvimento com este evento: “eu criei o Memorial do Maior São João do Mundo, hoje eu o coordeno e continuo a pesquisa, porque é um trabalho que não termina nunca, já que a história continua acontecendo e muitas coisas precisam ser resgatadas. Boa parte dessa história eu vivi, como jovem, na década de 1980; na década de 1990, fui diretora de marketing da Secretaria de Turismo. Trabalhamos na divulgação, na implantação e na construção da cidade cenográfica.”

Clea Cordeiro, idealizadora do Memorial

Como em qualquer município do Nordeste, o São João sempre foi comemorado em Campina Grande; era realizado pelas famílias, nas ruas e nos clubes da cidade, ou  boa parte da população campinense que gostava de festas juninas, deslocava-se para a cidade de Santa Luzia, onde o festejo era afamado na região, pela sua animação e brilhantismo.

O cartaz de 1983, a primeira edição do Maior São João do Mundo.

É na década de 1980, mais especificamente em 1983, que a Prefeitura Municipal passa a implementar, centralizar e coordenar os festejos juninos; a partir dessa data, começa a se falar no “Maior São João do Mundo”, cuja primeira edição deu-se numa palhoça localizada próximo ao Centro Cultural sendo, pois, o nascedouro dessa festa gigantesca de hoje. Segundo a professora Clea, os principais responsáveis pela formatação do São João centralizado foram os secretários Eraldo César, do Turismo e Desenvolvimento, e Margarida Rocha, de Educação e Cultura.

O primeiro cartaz edição do Maior São João do Mundo.

O Parque do Povo somente seria inaugurado três anos depois, em 1986, pelo então prefeito Ronaldo Cunha Lima, fato que teve uma repercussão tão grande que os próprios clubes sentiram um abalo em suas realizações, no período. Os cartazes da época, expostos no Memorial, demonstram a criatividade e o empenho com que foram concebidos os primeiros anos das festas juninas.

“Forródromo”, um nome que não deu certo

A famosa Pirâmide do Parque do Povo sempre foi o maior ponto de atração do local. Curiosamente, nem tinha esse nome quando foi construída, nem era uma pirâmide; a ideia seria uma fogueira estilizada, que terminou mais parecida com o monumento egípcio; no início, sob a influência do Sambódromo carioca, tentou-se denominar Forródromo, mas o nome não pegou, e ficou sacramentado mesmo como Pirâmide.

Uma viagem fotográfica pelo Parque do Povo, através dos anos.

A Professora Clea explica: “1980 foi a década da implantação, e a de 90 para 2000 foi a década da expansão”. No início dos anos 2000, foi construída a cidade cenográfica, que ainda hoje chama a atenção de turistas e habitantes, composta por réplicas da Catedral, do prédio do Telégrafo, do Casino Eldorado e da Vila Nova da Rainha, esta de pronto sendo ocupada por artesãos, e que, de tanto crescer, terminou gerando a Vila do Artesão, na Avenida Prof. Almeida Barreto, importante polo artesanal da região.

Segundo Clea Cordeiro, o Parque do Povo é o grande foco de atração da festa, mas não o único; “há outros lugares que estão crescendo bastante, como Sítio São João, que começou dentro do Parque do Povo, hoje está num lugar próprio, de forma grande e com muito mais atrativos – uma verdadeira viagem no tempo”, exemplifica Clea, que ressalta, ainda, o surgimento de empreendimentos em outros pontos do município, como em Galante e São José da Mata, comprovando que “um evento histórico-cultural gera frutos, as pessoas se organizam a partir dele”.

Galeria com fotos do Maior São João do Mundo

O Memorial

O surgimento do Memorial deu-se de forma praticamente espontânea, como conta a coordenadora do lugar: “eu gosto muito de museu e guardo muita coisa para deleite pessoal. Estando na PBtur, me foi concedida uma barraquinha para eu fazer divulgação do Estado, e resolvi colocar uns quadros que eu tinha, relativos ao São João.” As pessoas foram, então, identificando aquele espaço como um memorial e começaram a trazer peças publicitárias, páginas de jornais, fotos e objetos que registravam o período junino de épocas passadas. Hoje, ela se sente “guardiã de todo esse trabalho que foi copilado, ao longo do tempo.”

Clea Cordeiro: uma apaixonada pelo São João.

Em 2011, foi alugada uma casa na Rua Tiradentes, especialmente para colocar todo o acervo, que só cresceu. Até o ano passado, o acervo do Memorial era exposto nesse endereço, não somente na época junina, mas durante todo o ano; em 2019, foi oferecido gratuitamente, pela empresa promotora do São João, o atual espaço, que ainda se viu acrescido com a exposição de objetos de Elba Ramalho e de Marinês; o local é maior e tem mais facilidade de acesso. A princípio, a exposição não será permanente, como antes, pois falta toda uma estrutura para tal, mas existe o pensamento de viabilizar esse projeto.

A equipe responsável pelo Memorial é relativamente pequena, tendo em vista o afluxo de pessoas; além de Clea Cordeiro, há o encarregado de montar a exposição, mais uma auxiliar de atendimento (Gerusa) e Bernadete Cordeiro, também na parte de recepção dos visitantes, na parte da noite, quando a frequência aumenta. A entrada é gratuita, e as pessoas que visitam o local podem se fantasiar e tirar fotos caracterizadas com motivos típicos.

Professora Cléa Cordeiro

Festa dos cinco sentidos

O forró saiu da palhoça do sítio, ganhou a cidade e o Nordeste, mas também o Brasil e o exterior, já que no mundo inteiro, atualmente, assiste-se ao arrasta o pé, com maior ou menor traquejo, ao som da sanfona, do triângulo, da zabumba e de mais quantos instrumentos venham se juntar ao trio tradicional. “Eu já ouvi ‘Asa Branca’ cantada por japoneses, em japonês”, exulta Clea.

Encerrando a entrevista, Clea Cordeiro ensina: “o São João é uma festa que mexe com os cinco sentidos do ser humano, por isso ela é tão importante. É a única festa que eu conheço que agrada à visão, tem um visual próprio; tem um cheiro próprio, que é o cheiro da comida, o cheiro da fogueira; tem um paladar próprio, que é a culinária típica; tem uma música própria, com tantos ritmos – forró, xaxado, baião, xote, marchinha; e é a festa do tato, do abraço, de se dançar juntinho. Isso é fantástico! É maravilhoso! Então a gente tem mais é que desfrutar e divulgar esta festa”, conclui.

Texto e fotos: Ascom/PMCG


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