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2/julho/2019

Caminho dos Engenhos é roteiro das cachaças de alambique

Postado por Imprensa | 2/julho/2019 | Onde Ir

Visitar a região do brejo paraibano é fazer uma viagem no tempo, conhecer in loco o Brasil colonial, ver de perto antigos Engenhos de Cana-de-Açucar e andar pelo interior de casarões centenários, e ao final do passeio retornar aos dias atuais, quando degustar a melhor cachaça de alambique produzida no país. O Caminho dos Engenhos tem essa proposta.

Levantamento feito pela Associação Paraibana dos Engenhos de Cachaça de Alambique (Aspeca), a Paraíba possui cerca de 80 engenhos que produzem, por ano, um total de 12 milhões de litros de cachaça. Vários desses engenhos estão em funcionamento em cidades como Areia, na vizinha Alagoa Grande, Serraria e Bananeiras. A Aspeca avisa que 15 engenhos estão abertos à visitação pública.  Mas, o ideal é conhecer primeiramente o Museu da Rapadura, que está localizado no Centro de Ciências Agrárias da UFPB, em Areia.

Os guias de Turismo leva o turista até um galpão construído em 1870, de propriedade do antigo Engenho da Várzea. O ambiente bem cuidado, nos mostra peças de madeira que detalham a evolução do maquinário usado na produção da cachaça. Dá para imaginar os escravos africanos usados como força-motriz para moer a cana e na sequência produzir o açucar e seus derivados.

Mais acima está a casarão que servia de moradia para os senhores do Engenho e familiares. Imponente, todos os cômodos do casarão estão preservados mantendo móveis e utensílios dos séculos XIX e início do XX.  Na sequência do Caminhos do Engenho inicia-se a visita aos engenhos que estão em funcionamento e abertos ao público.

Engenho Triunfo

Um dos espaços com melhor infraestrutura de visita em todo o Brejo, o Engenho Triunfo é novo, fundado em 1994. Fruto do sonho de um casal que largou tudo (ela, ex-professora do Ensino Médio e ele, um produtor de bananas) para se dedicar à bebida. Antônio Augusto e Maria Júlia Baracho tinham tudo para dar errado no novo ramo (e chegaram inclusive a produzir cachaças intragáveis no início da empreitada). Ele ia testando as novas possibilidades com as máquinas que adquiria e ela provava. O engenho produz 250 mil garrafas mensais de dois tipos de cachaça: a branca (armazenada em recipientes de polietileno) e as envelhecidas, que passam nove meses em barris de madeiras brasileiras como umburana, carvalho, jequitibá-rosa e canela.

A visita segue os padrões dos engenhos da região, com passagem pelas diferentes etapas de produção da bebida, da moagem ao engarrafamento, mas paraibano não sabe receber sem montar uma mesa farta para quem acaba de chegar. Por isso, é em um jardim colorido que os visitantes são recebidos com sucos, frutas, doses da bebida produzida no local e sorvete de… cachaça.

Engenho Vaca Brava

No Engenho Vaca Brava, que faz a cachaça Matuta, a sexta geração de produtores segue trabalho intenso durante a safra, que costuma ir de agosto a fevereiro. Localizada em Areia, a empresa mói 180 toneladas de cana por dia e produz cerca de 3,5 milhões de litros por ano, seguindo o mesmo processo da época do bisavô de Gustavo Azevedo Leal Freire, gerente de produção. Ainda assim a empresa investe em inovação no maquinário e na apresentação. A Matuta é a primeira cachaça de alambique embalada em lata. O engenho produz a cachaça a cristal (armazenada por um ano em inox) e a umburana (descansada na madeira). De sabor persistente e toques discretos de madeira, a Matuta tem como particularidade a colheita manual da cana-de-açúcar ainda verde e prioridade aos pequenos produtores. Atualmente, 95% da matéria-prima é proveniente de 46 pequenos produtores de cidades como Areia, Guarabira e Alagoa Grande.

Engenho Lagoa Verde

Em Alagoa Grande, pertinho de Areia, o Engenho Lagoa Verde produz a premiada cachaça Volúpia. Ela foi a primeira cachaça brasileira comercializada em garrafas de porcelana. “Essa foi a solução para atrair as pessoas que tinham receio de tomar a cachaça em lugares públicos. Antigamente, a elite não consumia cachaça”, conta a supervisora Maria José.

Em uma área de 92,8 mil hectares, de onde sai toda a cana orgânica que dá origem aos 200 mil litros anuais da bebida, esse engenho cenográfico é lugar para passar o dia, nas redes coloridas que ficam nas varandas do restaurante Banguê, na propriedade. Por onde a vista alcança há cachaças, da sala envidraçada com tonéis, coquetéis que misturam a bebidas e frutas variadas aos pratos servidos em longas mesas de madeira, como o pernil de carneiro na cachaça branca (R$ 79 para até quatro pessoas, acompanhado de feijão-de-corda, macaxeira cozida, arroz e farofa). Do engenho saem a Volúpia, que repousa em barris de freijó por um ano e a cachaça envelhecida por quatro anos em barris de carvalho. Além deles, o engenho faz também fruta frozen, coquetéis com baixo teor alcoólico (18%).

 

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