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1/julho/2019

Projeto Cambada apresenta Eleonora Falcone

Postado por Marketing | 1/julho/2019 | Agenda Cultural

Edição de julho do Projeto Cambada apresenta Eleonora Falcone com o show de lançamento do EP físico ‘Mais que Mar’

Composições inéditas, os poemas de Lúcio Lins musicados e cantados por Eleonora Falcone ampliam os horizontes da música nordestina ao mergulhar profundamente em suas origens. Essa combinação perfeita estará presente na edição de julho do projeto Cambada, em que a cantora paraibana apresenta o show ‘Mais que Mar’, no qual será feito o lançamento físico do EP, que foi lançado digitalmente o ano passado. A apresentação será na sexta-feira (5), às 21h, na Sala de Concertos Maestro José Siqueira. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia entrada) e a bilheteria abre com uma hora de antecedência. Conta com as participações especiais de Adeildo Vieira e Seu Pereira, e com os músicos: Lucas Carvalho (acordeom) , Elma Virginia (baixo elétrico e acústico), Gilson Machado (bateria e percussão) e Felipe Gomes (trompete).

A cantora e compositora Eleonora Falcone nasceu em João Pessoa, cidade onde se formou em Psicologia antes de se mudar para o Rio de Janeiro no final da década de 1980. Tem em Lúcio Lins, portanto, um conterrâneo ilustre, notável, entre outras coisas, por ter dedicado boa parte de sua obra poética à cidade natal.

O primeiro contato de Eleonora com a poesia de Lúcio Lins foi por meio da música, mais especificamente “Duas Margens”, parceria do poeta com Chico César. O impacto foi tal que ela decidiu incluir a canção no repertório de seu disco de estreia, Apetite (2000). Ainda antes do lançamento, os dois se conheceram e iniciaram um intercâmbio artístico que rendeu duas faixas de Pedaço de Sol (2007), trabalho que marca o retorno da cantora a João Pessoa e seu último registro em disco. Esta parceria é agora celebrada no EP ‘Mais que Mar’, que traz composições inéditas, criadas por Eleonora após o falecimento do poeta em 2005.

Poesia musicada – “Duas Margens”, origem de toda esta trajetória, carrega alguns dos principais elementos que caracterizam a obra de Lúcio Lins. Não por acaso, estas características também percorrem as letras das seis faixas que compõem este EP. O uso de palavras simples, coloquiais, para expressar ideias antagônicas e complementares; a fusão entre atributos humanos e naturais, como se um universo se expressasse no outro; e a temática das águas, tão constante em seus versos, que tornou Lins conhecido como o Poeta do Mar. Em resumo, o eu-lírico mais presente nos textos de Lúcio Lins quer ser, ao mesmo tempo, gente, rio e mar, e, dessa maneira, ser mais que gente, mais que rio, mais que mar.
Nesse sentido, Eleonora Falcone se deixou navegar pelos poemas que mais lhe tocavam, buscando descobrir em sua voz as melodias sugeridas por cada um deles, para em seguida harmonizá-las ao piano. O intuito inicial era o registro em vídeo de um show que representasse as novas parcerias, além de outras canções assinadas por Lins.

Mas as águas desviaram o curso do projeto, desta vez concretamente: uma inundação na sala de concertos acabou forçando o cancelamento do espetáculo, o que conduziu à opção de gravar as músicas em estúdio. Além das composições, Eleonora Falcone assina a produção do EP. Os arranjos também foram dirigidos por ela e concebidos organicamente com o acordeonista Lucas Carvalho e o percussionista Gledson Meira. Aliando simplicidade, versatilidade e profundidade – elementos que distinguem a produção artística do poeta homenageado –, Eleonora percebeu no acordeom e em instrumentos percussivos típicos, como a alfaia, o triângulo, a zabumba e o tambor, os timbres perfeitos para criar a sonoridade de ‘Mais que Mar’. “Gosto muito do formato de voz-acordeom-percussão, ao mesmo tempo simples e de grandes possibilidades, e que nos remetem a várias culturas, inspirações e influências. Fazer o máximo com o mínimo é algo que sempre busquei.”

O disco – A ordem das faixas parece indicar, em diferentes níveis, um mesmo caminho que vai da melancolia resignada em “Sanhauá” (faixa de abertura, que inspirou clipe dirigido por Raphael Aragão) até a esperança ativa em “Dez Momentos de Pedra”. Se na primeira canção – que faz referência ao rio em cujas margens nasceu a cidade de João Pessoa –, há um sentimento íntimo de incompletude (uma incompletude de origem), na última, destacam-se a força, a dureza e o brilho, próprios daquilo que é pedra e que continua (ainda que mutável) ao longo do tempo. Os ritmos e, sobretudo, o canto de Eleonora Falcone acompanham este percurso. Pontuando o caminho, o voo sem corpo de “Vestindo o Poema”, a queda para o alto em “Poeta”, o misterioso naufrágio que “História Flutuante” sugere e o mantra “Medo do Escuro”, todas propondo um movimento de partida que sai do eu até o indefinido.

Juntas, as músicas apontam para a metáfora do rio que encontra uma trilha entre as pedras para seguir ao mar, compondo assim tanto a representação de uma trajetória individual específica, quanto a de uma coletividade, como a brasileira, que busca se reinventar para superar retrocessos. O EP propõe ainda um diálogo com os povos que vieram de além-mar e nos legaram não apenas a língua portuguesa, mas os jeitos de escrevê-la, dizê-la e cantá-la. Trata-se de navegar novamente um oceano de sentidos que une duas porções da Terra, este planeta feito de água, que já foi comparado em versos célebres à Paraíba para um saudoso poeta em exílio, conferindo assim dimensões cósmicas a uma tradição lírica motivada pela saudade da terra natal. É exatamente este jogo de relativizações o que a musicalidade de Eleonora Falcone desvenda na poética de Lúcio Lins em ‘Mais que Mar’. Uma vez que os versos do poeta desafiam os eixos normais de percepção ao borrar fronteiras de significados, a cantora e compositora vale-se do modalismo presente na música do Nordeste para adivinhar as melodias contidas nos poemas. Desta maneira, letra e música parecem também deslocar no tempo e no espaço as noções mais explícitas sobre identidade regional paraibana e nordestina, não por negá-las, mas, ao contrário, por mergulhar profundamente em suas origens. “Creio que, embora essa experiência venha se dando através de uma linguagem contemporânea e universal, repleta de paisagens sonoras, ela reflete nossa identidade praiana, nordestina, resultado do cruzamento do sangue índio e negro com povos da península ibérica. É a Parahyba do Nordeste do Brasil.”

Projeto – O Cambada foi lançado em janeiro de 2016, com a ideia inicial de se realizar uma temporada anualmente. Com o nome que faz referência ao coletivo de caranguejos, virou sucesso de público, e a frequência de shows passou a ser mensal.

A proposta consiste em realizar uma série de shows onde artistas da terra ou radicados na Paraíba se apresentam com repertório construído com músicas de compositores paraibanos. Além da qualidade das atrações, outro atrativo do projeto é o preço popular, uma forma de estimular o público a consumir e apreciar os artistas locais.

Serviço:
Projeto Cambada apresenta: Eleonora Falcone – Mais que Mar
Data: 05/07, 21h
Local: Sala de Concertos Maestro José Siqueira
Preços: R$ 20 (inteira) R$ 10 (meia entrada)

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